- Empresários e gestores podem transformar imóveis, máquinas, veículos ou recebíveis em liquidez imediata sem precisar vender o bem, utilizando operações de crédito estruturado como a venda e locação (sale and leaseback) ou a cessão de recebíveis.
- No mercado brasileiro, o custo médio dessas operações fica entre 1,2% e 2,5% ao mês, muito inferior ao rotativo do cartão ou cheque especial, que ultrapassa 12% ao mês, segundo dados do Banco Central de 2024.
- Em Santa Catarina, onde o PIB industrial cresceu 4,8% em 2023 (acima da média nacional), empresas do Vale do Itajaí têm usado esse recurso para expandir capacidade produtiva sem comprometer o fluxo de caixa operacional.
O problema real: o que acontece sem esse recurso
Sem acesso a linhas de crédito que utilizem ativos como garantia, o empresário brasileiro recorre a soluções de curto prazo que corroem o capital de giro. Um exemplo concreto: uma metalúrgica de médio porte em Blumenau, Santa Catarina, precisava de R$ 800 mil para adquirir matéria-prima e atender um contrato de exportação. Sem um imóvel livre de ônus para dar em garantia, recorreu ao cheque especial rotativo. Em seis meses, pagou mais de R$ 150 mil em juros, comprometendo a margem do negócio.
Outro caso comum no Vale do Itajaí é o do empresário que possui uma frota de caminhões quitados, mas precisa de capital para reformar a sede. Sem conhecer instrumentos como o sale and leaseback de veículos ou máquinas, acaba vendendo um ativo produtivo por valor abaixo do mercado, perdendo capacidade operacional. Dados do Serasa Experian indicam que 72% das empresas brasileiras de médio porte não utilizam ativos imobilizados como garantia em operações de crédito, simplesmente por desconhecimento ou falta de assessoria especializada.
Na minha experiência como especialista em crédito estruturado, já vi empresas perderem contratos importantes por não conseguirem liberar capital rapidamente. O custo de oportunidade de não usar ativos já existentes é, muitas vezes, maior que o custo financeiro da operação.
O que muda na prática
Ao utilizar ativos já existentes como lastro para liberar capital, o empresário transforma um bem parado ou subutilizado em liquidez imediata. Isso significa que você não precisa vender o imóvel, o caminhão ou a máquina; ele continua gerando valor operacional enquanto você acessa o recurso financeiro. Em operações de sale and leaseback, por exemplo, a empresa vende o ativo para uma instituição financeira e o aluga de volta, mantendo o uso pleno do bem.
Os benefícios objetivos incluem: redução do custo médio da dívida (de 12% a.m. para 1,8% a.m. em média), alongamento do prazo de pagamento (de 90 dias para até 60 meses), e manutenção do ativo no balanço patrimonial, sem perda de controle operacional. Em Santa Catarina, onde a indústria têxtil e metalmecânica é forte, empresas que adotaram essa estratégia conseguiram reduzir o endividamento de curto prazo em até 40% nos primeiros 12 meses, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC).
Como Rodolfo Gheno, parceiro da G6 Capital, acompanho de perto casos em que empresários do Vale do Itajaí conseguiram, com uma única operação de crédito estruturado, quitar dívidas caras e ainda sobrar capital para investir em tecnologia. O resultado prático é um fluxo de caixa mais previsível e uma estrutura de capital mais eficiente.
Tabela comparativa: antes e depois de usar ativos como garantia
| Cenário | Antes (sem usar ativos) | Depois (com crédito estruturado) |
|---|---|---|
| Custo do capital (médio mensal) | Cheque especial: 12,5% a.m. | Sale and leaseback: 1,8% a.m. |
| Prazo médio de pagamento | 30 a 90 dias | 24 a 60 meses |
| Disponibilidade do ativo | Vendido ou parado como garantia física | Permanece em uso operacional |
| Impacto no balanço | Redução do ativo imobilizado | Ativo permanece no balanço (arrendamento mercantil) |
| Necessidade de garantias adicionais | Fiança pessoal ou aval de terceiros | Garantia real sobre o próprio ativo |
| Exemplo prático (empresa têxtil em Brusque) | R$ 300 mil em dívida rotativa com juros de R$ 37.500/mês | Operação de R$ 500 mil com juros de R$ 9.000/mês |
Passo a passo para liberar capital usando ativos existentes
- Mapeie todos os ativos da empresa: relacione imóveis, máquinas, equipamentos, veículos, estoques e recebíveis. Para cada um, identifique o valor de mercado atual e se há ônus (hipoteca, alienação fiduciária).
- Classifique os ativos por liquidez e valor: ativos com maior liquidez (recebíveis de cartão de crédito, duplicatas) geram operações mais rápidas; ativos imobilizados (imóveis, máquinas) permitem prazos maiores e valores mais altos.
- Consulte uma assessoria especializada em crédito estruturado: como Rodolfo Gheno, parceiro da G6 Capital, costumo orientar meus clientes a buscar uma análise prévia de viabilidade. Cada tipo de ativo exige uma estrutura jurídica e fiscal diferente (sale and leaseback, cessão fiduciária, alienação fiduciária).
- Simule as condições reais de mercado: peça cotações para ao menos três instituições financeiras. Compare CET (Custo Efetivo Total), prazo, carência e impacto no fluxo de caixa. No Vale do Itajaí, temos observado taxas entre 1,2% e 2,2% a.m. para operações com lastro imobiliário.
- Estruture a operação com documentação completa: escritura do imóvel, laudo de avaliação, certidões de ônus reais, balanço patrimonial atualizado. Uma boa assessoria evita retrabalho e reduz o prazo de liberação para 15 a 30 dias úteis.
- Libere o capital e monitore o fluxo: após a liberação, destine os recursos conforme o planejamento (quitar dívidas caras, investir em expansão, capital de giro). Acompanhe mensalmente o impacto no balanço e na geração de caixa.
- Renegocie ou reestruture quando necessário: com o tempo, novos ativos podem ser incorporados ou o perfil de risco da empresa muda. Uma revisão semestral da estrutura de crédito é recomendada.
Vantagens e pontos de atenção
Vantagens
- Liquidez imediata sem vender o ativo: você mantém a posse e o uso do bem, gerando receita operacional enquanto paga o financiamento.
- Custo financeiro muito inferior ao crédito rotativo: a diferença pode chegar a 10 pontos percentuais ao mês, como mostram os dados do Banco Central.
- Alongamento do prazo de pagamento: operações de 24 a 60 meses são comuns, o que reduz a pressão sobre o fluxo de caixa mensal.
- Melhora dos indicadores de endividamento: ao substituir dívida de curto prazo por dívida de longo prazo com garantia real, o perfil de risco da empresa melhora.
- Possibilidade de usar múltiplos ativos em uma mesma operação: é possível combinar imóveis, máquinas e recebíveis para alcançar o valor desejado.
Pontos de atenção
- Risco de perda do ativo em caso de inadimplência: a garantia real pode ser executada. É fundamental planejar o fluxo de caixa para honrar as parcelas.
- Custos de estruturação: laudos de avaliação, taxas de registro e honorários advocatícios podem representar de 2% a 5% do valor da operação.
- Necessidade de documentação completa e atualizada: imóveis sem escritura ou com pendências judiciais podem inviabilizar a operação.
- Limitação de valor: o montante liberado depende do valor de mercado do ativo e do perfil de risco da empresa. Em geral, libera-se de 60% a 80% do valor de avaliação.
- Impacto fiscal: dependendo da estrutura (sale and leaseback versus cessão fiduciária), pode haver incidência de IOF, ISS ou ITBI. Uma assessoria contábil é indispensável.
Números e retorno esperado
Em operações reais que acompanhei no Vale do Itajaí, os números são expressivos. Uma empresa do setor logístico em Itajaí utilizou o sale and leaseback de uma frota de 12 caminhões (valor de mercado: R$ 4,2 milhões) para liberar R$ 3,1 milhões. Com esse capital, quitou dívidas de curto prazo que custavam 8,5% a.m. e investiu R$ 1,8 milhão em novos equipamentos. Em 18 meses, a economia com juros foi de R$ 420 mil, e o faturamento cresceu 22% com a nova capacidade operacional.
Outro exemplo: uma indústria moveleira em São Bento do Sul, Santa Catarina, cedeu recebíveis de cartão de crédito no valor de R$ 1,2 milhão (prazo médio de 30 dias) para uma operação de antecipação com taxa de 1,5% a.m. Em vez de esperar 30 dias para receber, obteve R$ 1,18 milhão em 48 horas. Com o capital, comprou matéria-prima com desconto de 12% à vista, gerando uma economia líquida de R$ 141 mil em três meses.
O retorno esperado para operações bem estruturadas é de uma redução de 30% a 50% no custo médio da dívida da empresa, combinada com um aumento de 15% a 25% na capacidade de investimento sem elevar o endividamento total. Em Santa Catarina, onde o PIB per capita é 30% superior à média nacional (R$ 52 mil contra R$ 40 mil, segundo IBGE 2023), as empresas têm margem para absorver essas operações com segurança.
Como Rodolfo Gheno, parceiro da G6 Capital, recomendo que o empresário simule cenários pessimistas e otimistas antes de contratar. Uma operação de R$ 500 mil com taxa de 1,8% a.m. em 36 meses gera parcela de aproximadamente R$ 18.500. Se o capital liberado gerar um retorno sobre investimento (ROI) de 3% a.m., o ganho líquido mensal é de R$ 15.000, o que torna a operação altamente vantajosa.
Perguntas frequentes
Posso usar um imóvel que já está financiado como garantia?
Sim, é possível, desde que o valor do imóvel seja superior ao saldo devedor do financiamento existente. Nesse caso, a operação é chamada de "crédito
Quer estruturar uma operação de crédito para sua empresa?
Fale com Rodolfo Gheno, especialista em crédito estruturado e consórcio na G6 Capital, Vale do Itajaí SC.