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Construção financiada: vantagens e cuidados

Por Rodolfo Gheno 23 de junho de 2026 7 min de leitura
Rodolfo Gheno — Construção financiada: vantagens e cuidados | G6 Capital, Vale do Itajaí SC
Rodolfo Gheno — G6 Capital, Vale do Itajaí SC
  • O que é: A construção financiada permite erguer um imóvel do zero com recursos bancários, liberados em etapas conforme o andamento da obra, com taxas de juros que variam entre 8% e 12% ao ano no mercado catarinense.
  • Por que usar: Em cidades como Balneário Camboriú e Itapema, onde o metro quadrado ultrapassou R$ 12 mil em 2024, construir sob medida pode gerar uma economia de 20% a 35% frente à compra de um imóvel pronto, além de permitir personalização total.
  • Cuidado principal: A liberação do crédito depende de aprovação técnica do projeto e do terreno, e atrasos na obra podem gerar custos extras com juros de obra parada, algo que acompanho de perto como especialista no Vale do Itajaí.

O problema real: o que acontece sem esse recurso

Sem a construção financiada, o empresário ou a família precisa acumular 100% do valor da obra em dinheiro antes de iniciar, o que raramente é viável no curto prazo. No Brasil, o déficit habitacional ultrapassa 6 milhões de unidades, e em Santa Catarina, cidades como Blumenau e Itajaí enfrentam pressão de demanda com estoques de imóveis novos abaixo de 3 meses em 2024.

Um exemplo concreto: um terreno em Itajaí, na região da Praia Brava, custa em média R$ 800 mil. Sem financiamento, o comprador precisaria de mais R$ 1,2 milhão para construir uma casa de 200 m², totalizando R$ 2 milhões à vista. Com a construção financiada, ele pode entrar com 20% de entrada (R$ 400 mil) e financiar o restante em 240 meses, liberando capital para outros investimentos. Na minha experiência como especialista em crédito estruturado, vejo que quem ignora esse recurso acaba comprando imóveis prontos superfaturados ou adiando o projeto por anos.

O que muda na prática

Na prática, a construção financiada transforma o sonho em realidade com prazos previsíveis. O banco libera parcelas conforme o cronograma físico da obra: geralmente 30% na fundação, 30% na estrutura, 20% no acabamento e 20% na entrega. Isso reduz o risco de desvio de caixa e permite que o construtor pague fornecedores e mão de obra sem apertos.

Em Balneário Camboriú, onde o metro quadrado valorizou 18% em 2023 (dados do Secovi-SC), construir financiado significa capturar essa valorização desde o início. Um apartamento de 100 m² em área nobre, que custaria R$ 1,5 milhão pronto, sai por cerca de R$ 1,1 milhão na construção financiada, considerando terreno e obra. Com juros de 9% ao ano e prazo de 20 anos, a parcela fica em torno de R$ 9.900 mensais, valor inferior ao aluguel de um imóvel equivalente na região (que passa de R$ 12 mil). Como Rodolfo Gheno, parceiro da G6 Capital, costumo dizer aos meus clientes: o custo de oportunidade de não construir é maior que o custo do financiamento.

Cenário Construção financiada Compra de imóvel pronto Aluguel de imóvel similar
Investimento inicial 20% do valor total (entrada + terreno) 20% a 30% de entrada 3 meses de aluguel + caução
Valor total (exemplo 100 m² em Itapema) R$ 800 mil (terreno + obra) R$ 1,2 milhão R$ 8.500/mês
Prazo de obtenção 18 a 24 meses (obra) Imediato Imediato
Valorização esperada (3 anos) 25% a 40% (captura do ciclo construtivo) 15% a 20% (mercado secundário) 0% (despesa)
Risco financeiro Atraso na obra e juros extras Superfaturamento na compra Reajuste anual do aluguel (IGPM ou IPCA)

Passo a passo para contratar a construção financiada

  1. Escolha o terreno com documentação regular: Verifique matrícula, certidão de ônus reais e zoneamento municipal. Em Blumenau, por exemplo, o Plano Diretor exige recuos e taxa de ocupação específicos, que impactam o projeto.
  2. Contrate um engenheiro ou arquiteto registrado no CREA/CAU: O projeto executivo deve incluir memorial descritivo, cronograma físico-financeiro e ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), documentos obrigatórios para o banco.
  3. Solicite aprovação do projeto na prefeitura: Sem o alvará de construção, o financiamento não é liberado. Em Itajaí, o prazo médio é de 60 a 90 dias, mas pode ser menor com projeto simplificado (até 200 m²).
  4. Escolha a instituição financeira: Bancos como Caixa, Itaú e Santander oferecem linhas específicas. Compare taxas: em Santa Catarina, a Caixa pratica cerca de 8,5% ao ano para imóveis de até R$ 1,5 milhão, enquanto bancos privados cobram 10% a 12%, mas têm análise mais rápida.
  5. Apresente a documentação e aguarde a vistoria técnica: O banco envia um engenheiro para avaliar o terreno e o projeto. A liberação da primeira parcela ocorre em até 30 dias após a aprovação, desde que a obra esteja com licença válida.

Vantagens e pontos de atenção

Números e retorno esperado

No mercado catarinense, os números são claros. Um terreno de 300 m² em Itapema, próximo à praia, custa em média R$ 500 mil. Construir 200 m² com padrão médio-alto sai por R$ 3.000/m² (total R$ 600 mil de obra). Com financiamento de 80% (R$ 480 mil) a 9% ao ano em 20 anos, a parcela é de R$ 4.320 mensais. Após a obra, o imóvel vale R$ 1,5 milhão (R$ 7.500/m²), gerando um ganho patrimonial de R$ 400 mil em 2 anos, sem contar a inflação.

Para quem prefere consórcio, a lógica é diferente: com uma carta de crédito de R$ 1 milhão, a taxa de administração de 20% totaliza R$ 200 mil diluídos em 200 meses. Se o consórcio for contemplado em 12 meses (sorteio ou lance), o custo efetivo é menor que o financiamento bancário, especialmente se o valor for corrigido pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil), que ficou em 4,5% em 2024. Como Rodolfo Gheno, parceiro da G6 Capital, recomendo: para obras de até R$ 1,5 milhão, o consórcio é competitivo; acima disso, o financiamento direto compensa pela previsibilidade.

Perguntas frequentes

Preciso ter o terreno quitado para financiar a construção?

Não necessariamente. A maioria dos bancos exige que o terreno esteja em seu nome, mas ele pode estar financiado separadamente. Na prática, o valor do terreno é somado ao custo da obra, e o banco avalia o conjunto. Em Santa Catarina, é comum usar o terreno como garantia adicional, reduzindo o risco e a taxa de juros.

Qual a diferença entre construção financiada e consórcio para construir?

No financiamento, você paga juros mensais (8% a 12% ao ano) e o dinheiro é liberado em parcelas conforme a obra avança. No consórcio, você paga taxa de administração (18% a 25% do valor total) e o crédito é liberado por sorteio ou lance, sem juros. A escolha depende do seu fluxo de caixa: se precisa de previsibilidade, vá de financiamento; se tem tempo e quer economia, o consórcio é melhor.

Quanto tempo leva para o banco liberar a primeira parcela?

Em média, de 30 a 60 dias após a aprovação do projeto e da documentação. Em Itajaí e Balneário Camboriú, onde a demanda é alta, os bancos têm equipes técnicas dedicadas, o que acelera o processo. Atrasos comuns incluem falta de ART do engenheiro ou pendências no alvará.

Posso usar o FGTS para pagar a construção financiada?

Sim, o FGTS pode ser usado para amortizar o saldo devedor ou pagar parcelas, desde que a obra esteja em andamento e o imóvel seja residencial. Em 2024, o limite de uso é de R$ 1.500 por ano por trabalhador, mas em casos de demissão ou aposentadoria, o saque total é permitido. Consulte a Caixa para verificar as regras atualizadas.

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Perguntas frequentes

Não necessariamente. A maioria dos bancos exige que o terreno esteja em seu nome, mas ele pode estar financiado separadamente. Na prática, o valor do terreno é somado ao custo da obra, e o banco avalia o conjunto. Em Santa Catarina, é comum usar o terreno como garantia adicional, reduzindo o risco e a taxa de juros.

No financiamento, você paga juros mensais (8% a 12% ao ano) e o dinheiro é liberado em parcelas conforme a obra avança. No consórcio, você paga taxa de administração (18% a 25% do valor total) e o crédito é liberado por sorteio ou lance, sem juros. A escolha depende do seu fluxo de caixa: se precisa de previsibilidade, vá de financiamento; se tem tempo e quer economia, o consórcio é melhor.

Em média, de 30 a 60 dias após a aprovação do projeto e da documentação. Em Itajaí e Balneário Camboriú, onde a demanda é alta, os bancos têm equipes técnicas dedicadas, o que acelera o processo. Atrasos comuns incluem falta de ART do engenheiro ou pendências no alvará.

Sim, o FGTS pode ser usado para amortizar o saldo devedor ou pagar parcelas, desde que a obra esteja em andamento e o imóvel seja residencial. Em 2024, o limite de uso é de R$ 1.500 por ano por trabalhador, mas em casos de demissão ou aposentadoria, o saque total é permitido. Consulte a Caixa para verificar as regras atualizadas.

Rodolfo Gheno, especialista em crédito estruturado, G6 Capital, Vale do Itajaí SC
Rodolfo Gheno
Especialista em Crédito Estruturado e Consórcio — G6 Capital
Especialista em crédito estruturado e mercado imobiliário, parceiro G6 Capital. Atua no mercado financeiro auxiliando empresas e famílias a utilizarem crédito de forma estratégica para construir patrimônio e acelerar crescimento. Com foco em Santa Catarina, já ajudou centenas de clientes a conquistar imóveis, ampliar negócios e reorganizar finanças com inteligência.