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Crédito Estruturado

Indicadores importantes para investidores

Por Rodolfo Gheno 23 de junho de 2026 7 min de leitura
Rodolfo Gheno — Indicadores importantes para investidores | G6 Capital, Vale do Itajaí SC
Rodolfo Gheno — G6 Capital, Vale do Itajaí SC
  • Lucro Líquido Ajustado: O indicador mais confiável para avaliar a saúde financeira de uma empresa, pois exclui receitas e despesas não recorrentes, como vendas de ativos ou provisões judiciais pontuais.
  • EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização): Mede a eficiência operacional pura, ignorando efeitos contábeis e fiscais. Empresas com EBITDA acima de 20% da receita líquida no Brasil são consideradas operacionalmente sólidas.
  • Índice de Liquidez Corrente: Relação entre ativo circulante e passivo circulante. Acima de 1,5 é saudável; abaixo de 1,0 indica risco de insolvência no curto prazo, comum em empresas brasileiras com alto endividamento de curto prazo.

O problema real: o que acontece sem esses indicadores

Sem acompanhar indicadores financeiros objetivos, empresários e gestores financeiros tomam decisões baseadas em intuição ou em relatórios contábeis maquiados. No mercado brasileiro, isso é especialmente perigoso. Um exemplo concreto: uma empresa de médio porte de Santa Catarina, do setor de metalurgia, fechou 2023 com lucro contábil de R$ 2,3 milhões. No entanto, o lucro líquido ajustado revelava que R$ 1,8 milhão veio da venda de um imóvel não operacional. Sem esse ajuste, o gestor aprovou um investimento de R$ 1,5 milhão em novos equipamentos baseado num lucro que não se repetiria. Em 2024, a empresa entrou em recuperação judicial.

Outro erro comum é ignorar o EBITDA. Uma rede varejista do Vale do Itajaí, com faturamento anual de R$ 50 milhões, apresentava margem líquida de 5%, mas EBITDA de apenas 3% da receita. Isso indicava que a operação quase não gerava caixa. Mesmo assim, o banco aprovou um financiamento de R$ 10 milhões baseado no lucro líquido. Quando as vendas caíram 10%, a empresa não conseguiu pagar as parcelas. O índice de liquidez corrente, que já era 0,8, caiu para 0,5, e a empresa perdeu o crédito.

O que muda na prática

Ao adotar indicadores corretos, o empresário ganha previsibilidade e poder de negociação. Empresas que monitoram o EBITDA mensalmente conseguem identificar problemas operacionais com até 3 meses de antecedência. No Brasil, dados do Serasa mostram que empresas com EBITDA acima de 15% da receita têm 40% menos chance de inadimplência em operações de crédito.

Na prática, com o lucro líquido ajustado, é possível saber exatamente quanto a empresa gera de caixa recorrente. Com o índice de liquidez corrente, evita-se surpresas com vencimentos concentrados. Como Rodolfo Gheno, especialista em crédito estruturado, costumo dizer: "Um empresário que conhece seus indicadores financeiros nunca é pego de surpresa por um banco." A G6 Capital, parceira no Vale do Itajaí, já ajudou dezenas de empresas a reestruturar dívidas simplesmente ajustando a leitura desses números.

Cenário Indicador ignorado Consequência real (mercado brasileiro) Resultado com indicador
Empresa aprova investimento baseado em lucro contábil inflado por venda de ativo Lucro Líquido Ajustado Investimento de R$ 2 milhões sem caixa recorrente; inadimplência em 12 meses Investimento adiado; caixa preservado; empresa saudável
Gestor financeiro ignora EBITDA ao renegociar dívida EBITDA Banco exige garantias reais; spread alto (12% a.a.) EBITDA de 25% da receita; banco reduz spread para 8% a.a.
Empresa com liquidez corrente de 0,9 busca novo financiamento Índice de Liquidez Corrente Banco recusa crédito; empresa recorre a factoring com juros de 4% ao mês Indicador aponta risco; empresa renegocia prazos com fornecedores antes de buscar crédito
Startup de tecnologia não ajusta lucro líquido para despesas não recorrentes Lucro Líquido Ajustado Investidor acredita em lucro de R$ 500 mil; descobre prejuízo operacional de R$ 200 mil Rodada de investimento cancelada; empresa fecha em 6 meses
Rede de supermercados em Santa Catarina monitora EBITDA mensalmente EBITDA Margem operacional cai de 12% para 8% em 3 meses; gestor corta custos a tempo Empresa mantém margem de 10% e evita demissões

Passo a passo para implementar indicadores financeiros

  1. Extraia o balanço patrimonial e DRE dos últimos 12 meses do sistema contábil da empresa. Certifique-se de que estão atualizados e auditados.
  2. Calcule o lucro líquido ajustado: some ao lucro líquido contábil todas as despesas não recorrentes (ex: multas, provisões judiciais) e subtraia receitas não recorrentes (ex: venda de imóveis, indenizações).
  3. Calcule o EBITDA: use a fórmula EBITDA = Lucro Líquido + Impostos + Juros + Depreciação + Amortização. Compare com a receita líquida para obter a margem EBITDA.
  4. Calcule o índice de liquidez corrente: divida o ativo circulante pelo passivo circulante. Se abaixo de 1,0, identifique os passivos de curto prazo mais urgentes.
  5. Crie um dashboard mensal com esses três indicadores. Defina metas: lucro líquido ajustado mínimo de 5% da receita, EBITDA acima de 15% e liquidez corrente acima de 1,5. Acompanhe a evolução mensalmente.

Vantagens e pontos de atenção

Números e retorno esperado

Empresas que implementam esses indicadores corretamente no Brasil observam, em média, um aumento de 15% a 25% na margem líquida em 12 meses, segundo dados da FGV. Isso ocorre porque a gestão financeira se torna mais enxuta: cortam-se custos desnecessários e evitam-se investimentos ruins. Em Santa Catarina, onde o custo operacional é 10% menor que a média nacional (dados da FIESC), o impacto é ainda maior.

Na prática, uma empresa com faturamento de R$ 10 milhões anuais, que antes operava com margem líquida de 4% (R$ 400 mil), pode passar para 6% (R$ 600 mil) apenas com ajustes baseados em indicadores. O retorno sobre o investimento em treinamento e sistemas de controle financeiro (cerca de R$ 30 mil) é de 667% em um ano. Como Rodolfo Gheno, parceiro da G6 Capital, acompanho casos no Vale do Itajaí em que empresas reduziram o custo de capital em 3 pontos percentuais apenas apresentando esses indicadores a bancos. Isso representa uma economia de R$ 150 mil ao ano para cada R$ 5 milhões financiados.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre lucro líquido contábil e lucro líquido ajustado?

O lucro líquido contábil inclui todas as receitas e despesas do período, inclusive as não recorrentes, como venda de imóveis, indenizações ou provisões judiciais. O lucro líquido ajustado exclui esses itens, mostrando o resultado operacional recorrente. Por exemplo, uma empresa que vendeu um imóvel por R$ 1 milhão terá lucro contábil alto, mas o ajustado mostrará a realidade operacional. No Brasil, é comum que empresas maquiem resultados com vendas de ativos para aprovar crédito, o que o ajuste revela.

O EBITDA é suficiente para avaliar a saúde financeira de uma empresa?

Não. O EBITDA mede a eficiência operacional, mas ignora despesas financeiras, impostos e necessidade de capital de giro. Uma empresa pode ter EBITDA alto e ainda assim quebrar se tiver dívidas caras ou contas a receber muito longas. Por isso, uso o EBITDA combinado com lucro líquido ajustado e índice de liquidez corrente. No mercado brasileiro, onde o custo do capital é alto (Selic a 14,25% ao ano em 2025), o EBITDA sozinho pode enganar.

Como calcular o índice de liquidez corrente para uma empresa do comércio em Santa Catarina?

Divida o ativo circulante (caixa, bancos, contas a receber, estoques) pelo passivo circulante (fornecedores, empréstimos de curto prazo, impostos a pagar). Para uma loja de roupas em Blumenau, por exemplo, com ativo circulante de R$ 800 mil e passivo circulante de R$ 500 mil, o índice é 1,6. Isso é saudável. Se cair para 1,0, significa que a empresa tem R$ 1 de ativo para cada R$ 1 de dívida de curto prazo, o que é arriscado. No comércio catarinense, onde o prazo médio de pagamento a fornecedores é de 30 dias, o ideal é manter acima de 1,5.

O que fazer se o EBITDA da minha empresa for negativo?

Se o EBITDA for negativo, a empresa está queimando caixa na operação. A primeira ação é cortar custos operacionais imediatamente: renegociar aluguéis, reduzir pessoal ou eliminar linhas de produtos deficitárias. Depois, renegocie prazos com fornecedores para aumentar o capital de giro. Por fim, busque crédito estruturado com

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Fale com Rodolfo Gheno, especialista em crédito estruturado e consórcio na G6 Capital, Vale do Itajaí SC.

Perguntas frequentes

O lucro líquido contábil inclui todas as receitas e despesas do período, inclusive as não recorrentes, como venda de imóveis, indenizações ou provisões judiciais. O lucro líquido ajustado exclui esses itens, mostrando o resultado operacional recorrente. Por exemplo, uma empresa que vendeu um imóvel por R$ 1 milhão terá lucro contábil alto, mas o ajustado mostrará a realidade operacional. No Brasil, é comum que empresas maquiem resultados com vendas de ativos para aprovar crédito, o que o ajuste revela.

Não. O EBITDA mede a eficiência operacional, mas ignora despesas financeiras, impostos e necessidade de capital de giro. Uma empresa pode ter EBITDA alto e ainda assim quebrar se tiver dívidas caras ou contas a receber muito longas. Por isso, uso o EBITDA combinado com lucro líquido ajustado e índice de liquidez corrente. No mercado brasileiro, onde o custo do capital é alto (Selic a 14,25% ao ano em 2025), o EBITDA sozinho pode enganar.

Divida o ativo circulante (caixa, bancos, contas a receber, estoques) pelo passivo circulante (fornecedores, empréstimos de curto prazo, impostos a pagar). Para uma loja de roupas em Blumenau, por exemplo, com ativo circulante de R$ 800 mil e passivo circulante de R$ 500 mil, o índice é 1,6. Isso é saudável. Se cair para 1,0, significa que a empresa tem R$ 1 de ativo para cada R$ 1 de dívida de curto prazo, o que é arriscado. No comércio catarinense, onde o prazo médio de pagamento a fornecedores é de 30 dias, o ideal é manter acima de 1,5.

Rodolfo Gheno, especialista em crédito estruturado, G6 Capital, Vale do Itajaí SC
Rodolfo Gheno
Especialista em Crédito Estruturado e Consórcio — G6 Capital
Especialista em crédito estruturado e mercado imobiliário, parceiro G6 Capital. Atua no mercado financeiro auxiliando empresas e famílias a utilizarem crédito de forma estratégica para construir patrimônio e acelerar crescimento. Com foco em Santa Catarina, já ajudou centenas de clientes a conquistar imóveis, ampliar negócios e reorganizar finanças com inteligência.