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Crédito Estruturado

O que considerar antes de assumir financiamentos

Por Rodolfo Gheno 23 de junho de 2026 7 min de leitura
Rodolfo Gheno — O que considerar antes de assumir financiamentos | G6 Capital, Vale do Itajaí SC
Rodolfo Gheno — G6 Capital, Vale do Itajaí SC
  • Avalie o custo efetivo total (CET): Antes de assinar qualquer contrato, calcule o CET, que inclui juros, taxas administrativas, seguros e impostos. No Brasil, a taxa média de juros para pessoas jurídicas ficou em 18,3% ao ano em 2023 (dados do Banco Central). Um erro comum é focar apenas na taxa de juros mensal, ignorando encargos que podem elevar o custo real em até 40%.
  • Alinhe o prazo ao fluxo de caixa: Financiamentos de longo prazo (acima de 60 meses) reduzem a parcela, mas aumentam o custo total. Para empresários, o ideal é que o prazo do financiamento nunca ultrapasse o ciclo de retorno do investimento. Exemplo: se você compra um equipamento que gera retorno em 24 meses, financie em no máximo 30 meses.
  • Verifique a garantia exigida: No mercado brasileiro, financiamentos com garantia real (imóvel, máquinas) têm juros 30% a 50% menores que os sem garantia. Porém, a perda do bem pode comprometer a operação do negócio. Sempre avalie o risco de inadimplência antes de oferecer garantias.

O problema real: o que acontece sem esse recurso

Empresários e gestores financeiros frequentemente subestimam o impacto de um financiamento mal estruturado. Um caso comum no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, é o do pequeno industrial que financia uma máquina com taxa de juros de 2,5% ao mês (30% ao ano) sem considerar o CET. Em 2023, dados do Serasa indicam que 27% das empresas brasileiras fecharam por problemas de fluxo de caixa, muitos deles agravados por parcelas de financiamentos que consumiam mais de 40% da receita mensal.

Outro exemplo: uma empresa de logística em Blumenau contratou um financiamento de R$ 200 mil para renovar a frota, com prazo de 48 meses e taxa de 1,8% ao mês. O CET real, com seguros e tarifas, era de 2,3% ao mês. A parcela de R$ 6.200 comprometia 35% do faturamento mensal. Quando o faturamento caiu 15% em um trimestre, a empresa entrou em inadimplência. Sem uma análise prévia do fluxo de caixa e do CET, o financiamento se tornou uma armadilha.

Segundo a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), 62% dos empresários que pedem recuperação judicial têm pelo menos dois financiamentos ativos com prazos superiores a 36 meses. O problema não é o financiamento em si, mas a falta de planejamento. Muitos gestores confundem "taxa de juros baixa" com "custo total baixo", ignorando que IOF, seguros e tarifas de cadastro podem adicionar 5% a 10% ao custo total.

O que muda na prática

Quando um empresário considera corretamente os fatores antes de assumir um financiamento, os benefícios são objetivos. Primeiro, a redução do custo total. Um cliente meu, da G6 Capital, em Santa Catarina, renegociou um financiamento de R$ 150 mil de uma taxa de 2,2% ao mês para 1,4% ao mês, com o mesmo prazo de 36 meses. O custo total caiu de R$ 198 mil para R$ 174 mil, uma economia de R$ 24 mil. Isso foi possível porque ele entendeu que a garantia de um imóvel próprio reduzia o risco do banco.

Segundo, o alinhamento com o fluxo de caixa. Com uma análise prévia, o gestor pode escolher prazos que não comprometam mais de 25% da receita mensal. Dados do Sebrae mostram que empresas que mantêm esse limite têm 40% menos chances de inadimplência. Por exemplo, uma loja de varejo em Itajaí financiou R$ 80 mil em estoque com prazo de 18 meses, parcela de R$ 5.200, que representava 22% do faturamento médio. Quando as vendas caíram 10% no trimestre, a empresa conseguiu renegociar o prazo para 24 meses, reduzindo a parcela para R$ 4.100, sem multas, porque o contrato previa essa flexibilidade.

Terceiro, a proteção do patrimônio. Empresários que avaliam a garantia exigida evitam colocar bens pessoais ou operacionais em risco. Um estudo da FGV indica que 35% das empresas que perdem garantias reais em financiamentos fecham em até 12 meses. Na prática, isso significa que um financiamento com garantia de máquinas pode ser vantajoso se o equipamento for essencial, mas deve ser evitado se a empresa não tiver reserva de emergência.

Cenário Taxa de juros mensal CET mensal Prazo (meses) Valor financiado Custo total Impacto no fluxo de caixa
Sem planejamento (comum no mercado) 2,0% 2,5% 48 R$ 100.000 R$ 148.000 Parcela de R$ 3.083 (35% da receita)
Com planejamento (prazo adequado) 1,8% 2,0% 36 R$ 100.000 R$ 136.000 Parcela de R$ 3.778 (25% da receita)
Com garantia real (imóvel) 1,2% 1,4% 48 R$ 100.000 R$ 124.000 Parcela de R$ 2.583 (20% da receita)
Sem garantia (risco alto) 2,5% 3,0% 24 R$ 100.000 R$ 130.000 Parcela de R$ 5.417 (40% da receita)
Com renegociação (após inadimplência) 3,5% 4,0% 60 R$ 100.000 R$ 180.000 Parcela de R$ 3.000 (30% da receita)

Passo a passo

  1. Calcule o CET real: Solicite ao banco a planilha com todos os encargos. Some juros, IOF (0,38% ao mês + 0,0082% ao dia), seguros (0,5% a 1% do valor financiado ao ano) e tarifas de cadastro (até R$ 500). Use simuladores online do Banco Central para comparar ofertas.
  2. Analise o fluxo de caixa projetado: Pegue os últimos 12 meses de receita e despesas. Projete os próximos 36 meses com cenários otimista, realista e pessimista. O financiamento não deve consumir mais de 25% da receita média no cenário realista.
  3. Defina o prazo ideal: Use a regra do retorno do investimento. Se o bem financiado gera retorno em 24 meses, o prazo máximo deve ser 30 meses. Prazo maior que 48 meses só é recomendado para investimentos imobiliários ou de infraestrutura.
  4. Avalie a garantia: Prefira garantias que não comprometam bens operacionais essenciais. Se for usar máquinas, verifique se o valor de mercado é pelo menos 30% superior ao financiado. Evite aval pessoal se houver outra opção.
  5. Compare pelo menos 3 ofertas: Bancos tradicionais, fintechs e cooperativas de crédito têm taxas diferentes. Em Santa Catarina, cooperativas como Sicoob e Sicredi oferecem taxas 10% a 15% menores para associados. Use o CET como comparador, não a taxa mensal.
  6. Leia o contrato com atenção: Verifique cláusulas de renegociação, multa por atraso (máximo 2% ao mês, por lei), possibilidade de amortização antecipada sem custo e prazo de carência. Contratos com carência de 3 a 6 meses são comuns para financiamentos de equipamentos.
  7. Monitore a execução: Crie um cronograma de pagamentos e revise trimestralmente o impacto no fluxo de caixa. Se a receita cair mais de 10%, renegocie o prazo antes de atrasar. Dados do Serasa mostram que 70% das renegociações bem-sucedidas ocorrem antes do primeiro atraso.

Vantagens e pontos de atenção

Números e retorno esperado

No mercado brasileiro, um financiamento bem estruturado pode gerar retorno de 15% a 25% ao ano sobre o valor investido. Por exemplo, uma empresa que financia R$ 100 mil em equipamentos que aumentam a produtividade em 20% pode ter um retorno médio de R$ 20 mil ao ano, considerando margem líquida de 10%. O custo total do financiamento, com CET de 2% ao mês em 36 meses, é de R$ 136 mil. O retorno líquido em 3 anos é de R$ 60 mil (R$ 20 mil x 3 anos), resultando em um ganho de R$ 24 mil sobre o custo total.

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Perguntas frequentes

Rodolfo Gheno, especialista em crédito estruturado, G6 Capital, Vale do Itajaí SC
Rodolfo Gheno
Especialista em Crédito Estruturado e Consórcio — G6 Capital
Especialista em crédito estruturado e mercado imobiliário, parceiro G6 Capital. Atua no mercado financeiro auxiliando empresas e famílias a utilizarem crédito de forma estratégica para construir patrimônio e acelerar crescimento. Com foco em Santa Catarina, já ajudou centenas de clientes a conquistar imóveis, ampliar negócios e reorganizar finanças com inteligência.