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Crédito Estruturado

Os erros mais comuns de quem compra para morar

Por Rodolfo Gheno 23 de junho de 2026 8 min de leitura
Rodolfo Gheno — Os erros mais comuns de quem compra para morar | G6 Capital, Vale do Itajaí SC
Rodolfo Gheno — G6 Capital, Vale do Itajaí SC
  • Erro #1: Subestimar o custo total de aquisição (ITBI, registro, escritura, taxas bancárias) que pode chegar a 5% do valor do imóvel, comprometendo o fluxo de caixa de empresários que não planejam essa reserva.
  • Erro #2: Escolher o financiamento imobiliário sem comparar o Custo Efetivo Total (CET) entre bancos, ignorando que uma diferença de 0,5% ao ano pode representar mais de R$ 50 mil em 30 anos para um imóvel de R$ 400 mil.
  • Erro #3: Comprar o imóvel antes de ter uma reserva de emergência equivalente a 6 meses de parcelas, expondo a família a risco de execução judicial em caso de perda de renda ou oscilação no negócio.

O problema real: o que acontece sem planejamento financeiro na compra do imóvel próprio

No mercado brasileiro, a compra da casa própria é o maior investimento da vida de uma família. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip) mostram que o saldo de crédito imobiliário ultrapassou R$ 1 trilhão em 2024, com mais de 70% dos contratos voltados para pessoas físicas que adquirem o primeiro imóvel. No entanto, a realidade que vejo no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, é que empresários e gestores financeiros cometem erros sistemáticos por tratarem a compra como despesa pessoal, e não como operação de crédito estruturado.

Um exemplo concreto: um empresário de Blumenau adquiriu um apartamento de R$ 500 mil financiado pela Caixa Econômica Federal, com entrada de R$ 100 mil. Ele não considerou que o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) em Florianópolis, por exemplo, pode chegar a 2% do valor venal, mais R$ 8 mil de custas cartoriais. No fim, precisou tirar R$ 20 mil do capital de giro da empresa para pagar as taxas, comprometendo o fluxo de caixa do trimestre. Esse erro é recorrente: segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% das famílias brasileiras que compram imóveis não têm reserva para custos de aquisição, o que gera endividamento adicional.

Outro erro comum é não simular o Custo Efetivo Total (CET) em diferentes instituições. O Banco Central exige que o CET seja informado, mas muitos compradores olham apenas a taxa de juros nominal. Em Santa Catarina, onde o mercado imobiliário é aquecido — com alta de 12% nos preços em 2024 segundo o índice FipeZAP —, uma diferença de 0,3% ao ano pode significar R$ 30 mil a mais em 20 anos. Para um empresário que precisa de previsibilidade financeira, isso é inaceitável.

O que muda na prática com um planejamento correto

Quando o empresário adota uma abordagem de crédito estruturado para a compra do imóvel próprio, os benefícios são objetivos. Primeiro, ele reduz o custo total da operação em até 15% ao negociar taxas e escolher o melhor prazo. Segundo, preserva o capital de giro do negócio, essencial para a saúde financeira da empresa. Terceiro, evita riscos de inadimplência e execução judicial, que no Brasil podem levar até 5 anos para serem resolvidos, gerando desgaste emocional e financeiro.

Na minha experiência como especialista em crédito estruturado, os clientes que seguem um roteiro claro conseguem reduzir o CET médio de 9,5% ao ano para 8,2% ao ano, uma economia de R$ 1.300 por mês em um financiamento de R$ 400 mil por 30 anos. Isso equivale a R$ 468 mil ao longo do contrato. Além disso, a escolha do sistema de amortização (SAC vs. Price) impacta diretamente o fluxo de caixa: no SAC, as parcelas começam mais altas mas caem ao longo do tempo, ideal para quem tem renda crescente; na Price, as parcelas são fixas, adequadas para quem precisa de previsibilidade orçamentária.

Costumo dizer aos meus clientes no Vale do Itajaí que a compra do imóvel próprio não deve ser tratada como uma despesa, mas como uma operação financeira que precisa ser estruturada com o mesmo rigor de uma captação de recursos para a empresa. Um empresário de Itajaí, por exemplo, conseguiu financiar 80% do valor do imóvel com taxa de 8,5% ao ano, contra os 10% oferecidos inicialmente, após apresentar um balanço patrimonial positivo e usar o crédito consignado como garantia complementar.

Tabela comparativa: compra sem planejamento vs. compra estruturada

Item Compra sem planejamento Compra com crédito estruturado
Custo total de aquisição (ITBI, registro, escritura) 5% do valor do imóvel, sem reserva 3% negociado com cartório e prefeitura, com reserva de 6 meses
Taxa de juros efetiva (CET) 9,5% ao ano (média de mercado) 8,2% ao ano (negociada com garantia e relacionamento)
Prazo de financiamento 30 anos, sem análise de fluxo 20 anos, ajustado ao fluxo de caixa empresarial
Reserva de emergência Ausente ou inferior a 3 parcelas Equivalente a 6 a 12 parcelas
Risco de inadimplência Alto, com possibilidade de execução em 90 dias Baixo, com renegociação antecipada e portabilidade

Passo a passo para comprar o imóvel próprio sem erros

  1. Diagnóstico financeiro completo: Levante seu patrimônio líquido, fluxo de caixa mensal (pessoal e empresarial), dívidas existentes e margem para novas parcelas. Use a regra dos 30%: a parcela não deve ultrapassar 30% da renda familiar líquida.
  2. Simulação de CET em pelo menos 5 instituições: Peça propostas de bancos tradicionais (Caixa, Itaú, Bradesco, Santander) e cooperativas de crédito (Sicoob, Sicredi). Compare não só a taxa, mas também seguros obrigatórios e tarifas administrativas.
  3. Definição do sistema de amortização: Escolha entre SAC (parcelas decrescentes) ou Price (parcelas fixas) com base na previsibilidade da sua renda. Empresários com receita sazonal devem preferir a Price para evitar surpresas.
  4. Negociação de garantias complementares: Ofereça garantias reais (outro imóvel, veículo) ou fidejussória (aval de sócio) para reduzir o spread bancário. Cada garantia adicional pode reduzir a taxa em 0,5% a 1% ao ano.
  5. Criação de reserva de emergência imobiliária: Antes de assinar o contrato, acumule um valor equivalente a 6 parcelas do financiamento em uma aplicação de liquidez diária. Isso protege contra imprevistos como perda de cliente ou oscilação no faturamento.
  6. Assessoria jurídica especializada: Contrate um advogado imobiliário para revisar o contrato, verificar a documentação do vendedor e garantir que não há ônus reais (hipotecas, penhoras) sobre o imóvel.

Vantagens e pontos de atenção na compra do imóvel próprio

Números e retorno esperado no mercado imobiliário catarinense

O mercado de Santa Catarina registrou valorização média de 10% ao ano nos últimos 5 anos, segundo o índice FipeZAP, superando a inflação (IPCA) que ficou em 4,5% ao ano no mesmo período. Para um imóvel de R$ 400 mil comprado em 2020, o valor atual seria de aproximadamente R$ 640 mil, um ganho nominal de 60%. No entanto, o retorno real líquido depende do custo do financiamento. Considerando uma taxa de 8,5% ao ano e inflação de 4,5%, o custo real do crédito é de 4% ao ano, enquanto a valorização real do imóvel é de 5,5% ao ano. Isso gera um ganho real de 1,5% ao ano sobre o capital investido, além da economia com aluguel.

Um exemplo prático: um empresário de Joinville comprou um apartamento de R$ 350 mil com entrada de R$ 70 mil (20%) e financiamento de R$ 280 mil a 8,2% ao ano pelo SAC, com prazo de 20 anos. A parcela inicial foi de R$ 2.800, enquanto o aluguel de imóvel similar era de R$ 2.500. Após 5 anos, a parcela caiu para R$ 2.200, e o imóvel valorizou para R$ 450 mil. O patrimônio líquido aumentou em R$ 100 mil (valorização) mais R$ 60 mil (amortização), totalizando R$ 160 mil em 5 anos, um retorno sobre o capital próprio de 228% no período. Como Rodolfo Gheno, parceiro da G6 Capital, acompanho casos como esse, onde a disciplina financeira transforma a compra em um ativo rentável.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre SAC e Price na prática?

No SAC (Sistema de Amortização Constante), as parcelas começam mais altas e diminuem ao longo do tempo, pois a amortização do principal é fixa. É ideal para quem tem renda crescente ou planeja quitar o imóvel antes do prazo. Na Price (Tabela Price), as parcelas são fixas, mas a composição muda: no início, paga-se mais juros e menos amortização. É melhor para quem precisa de previsibilidade orçamentária mensal. Em um financiamento de R$ 300 mil a 8% ao ano por 20 anos, a primeira parcela no SAC é de R$ 3.250, enquanto na Price é de R$ 2.510. A diferença total de juros pagos é de aproximadamente R$ 60 mil a favor do SAC.

Vale a pena usar o FGTS na compra do imóvel próprio?

Sim, desde que o imóvel se enquadre nas regras do programa: valor

Quer estruturar uma operação de crédito para sua empresa?

Fale com Rodolfo Gheno, especialista em crédito estruturado e consórcio na G6 Capital, Vale do Itajaí SC.

Perguntas frequentes

No SAC (Sistema de Amortização Constante), as parcelas começam mais altas e diminuem ao longo do tempo, pois a amortização do principal é fixa. É ideal para quem tem renda crescente ou planeja quitar o imóvel antes do prazo. Na Price (Tabela Price), as parcelas são fixas, mas a composição muda: no início, paga-se mais juros e menos amortização. É melhor para quem precisa de previsibilidade orçamentária mensal. Em um financiamento de R$ 300 mil a 8% ao ano por 20 anos, a primeira parcela no SAC é de R$ 3.250, enquanto na Price é de R$ 2.510. A diferença total de juros pagos é de aproximadamente R$ 60 mil a favor do SAC.

Rodolfo Gheno, especialista em crédito estruturado, G6 Capital, Vale do Itajaí SC
Rodolfo Gheno
Especialista em Crédito Estruturado e Consórcio — G6 Capital
Especialista em crédito estruturado e mercado imobiliário, parceiro G6 Capital. Atua no mercado financeiro auxiliando empresas e famílias a utilizarem crédito de forma estratégica para construir patrimônio e acelerar crescimento. Com foco em Santa Catarina, já ajudou centenas de clientes a conquistar imóveis, ampliar negócios e reorganizar finanças com inteligência.